quinta-feira, 8 de abril de 2010

Arte Urbana - Grafite


A arte urbana de Alexandre Orion

Publicado em 05 de abril de 2010

Divulgação
Alexandre Orion trabalha em Ossário: “o crime do grafite está na tinta ou na mensagem?

Endrigo Chiri Braz

Alexandre Orion, o artista visual responsável pela capa desta edição da revista CULT, está longe de ser um artista de rua comum que se apropria dos muros da cidade para pintar. Latas de spray não são suficientes para expressar suas ideias e conceitos. Orion mergulha no caos e dança com o acaso e, depois de muito refletir, surge nas ruas da cidade com obras de arte que, além de massagear as pupilas, colocam os neurônios para trabalhar. A imagem de capa é uma das muitas que compõem a série Metabiótica, produzida em 2002. Orion aproxima a ficção da realidade com o compromisso da casualidade. É um trabalho de intervenção urbana que mescla o estêncil [técnica de grafite], a fotografia e os milhares de transeuntes que circulam pela cidade.

A imagem do sujeito ficcional gritando com um megafone na orelha de um mendigo real levou meses para ser produzida. O artista escolheu o muro, desenvolveu o estêncil e, munido de máquina fotográfica, esperou por dias a fio até que alguém interagisse de maneira apropriada com o desenho estampado na parede. A série, que conta com quase 20 imagens, foi exposta no mundo inteiro, virou livro e hoje se encaixa perfeitamente ao tema do Dossiê desta edição. Em seu trabalho batizado deOssário, Orion investigou a poluição que pinta de preto os túneis da cidade e desenvolveu uma técnica de grafite reverso, arte menos poluição. Na entrevista a seguir, ele conta como o caos e o acaso atuam em seu trabalho.

CULT – Quando e como você despertou para a arte urbana? Antes de ir para as ruas, você já era um artista plástico indoor?

Alexandre Orion – Desde moleque eu desenho e pinto. Aos 13 anos, sob influência da cultura do skate e do hip hop, eu fui pra rua fazer meu primeiro trabalho na parede. E segui fazendo grafite nas ruas até que comecei a fazer tatuagem. Eu tatuava desenhos exclusivos, o que foi uma ponte para a ilustração, depois para a direção de arte de revistas, até que abri mão de tudo e voltei pra rua com o projeto Metabiótica na cabeça. O curso superior em artes visuais veio depois disso, surgiu bem tarde na minha vida.

CULT – Atualmente, você se dedica integralmente ao trabalho de artista plástico?

Orion – Sim. Não foi algo natural, mas uma decisão que tomei alguns anos atrás e que envolve dedicação e abdicação.

CULT – Toda intervenção urbana, por si só, já lida com o imprevisto. Em Metabióticavocê adicionou o acaso a essa equação. Qual o papel dele na obra e sua importância para o contexto?

Orion – O acaso é o momento mais importante do trabalho, pois é nesse registro da interação espontânea das pessoas que o conceito Metabiótica nasce. Tudo acontece de verdade, sem interferências nem poses, porém o resultado parece falso. Mas, além de uma questão conceitual, a espera é o momento em que os passantes tomam parte do processo tornando-se personagens e coautores dele, acrescentando coisas que eu jamais poderia imaginar.

CULT – A marca do seu trabalho é acrescentar outros elementos ao grafite, às técnicas de arte de rua em si, como a fotografia, os transeuntes. Saberia dizer de onde veio isso? Acredita que trabalhando com uma gama maior de elementos o recado é dado de forma mais impactante?

Orion – Meus projetos surgem do pensamento, penso muito antes de começar algo. Em Metabiótica, tentei resolver grandes incômodos que tinha em relação ao grafite e à fotografia. Sempre me preocupou a ideia de o grafite ser egoísta, de usar o espaço público para expressar algo pessoal, e eu queria que ele fizesse parte da vida, queria que a cidade não fosse apenas o suporte, mas a plataforma. E na fotografia me aborrecia muito essa carga de verdade que ela tem, essa ideia de que tudo que é fotográfico é real, existe ou existiu. As fotografias da série Metabiótica são todas espontâneas, tudo aconteceu de verdade, mas esse diálogo entre pintura e fotografia cria um desconforto, dá a sensação de que há uma montagem que não existiu. Em Ossário a demanda era outra. Visitei um dos túneis de São Paulo, saí de lá com a certeza de que podia desenhar limpando, mas também assustado com a quantidade de poluição que encontrei. A ideia da intervenção concretizou-se quando entendi de que maneira eu usaria a técnica para construir o discurso. E esse é o dado mais importante do Ossário: a relação intrínseca entre a técnica, o local e o discurso. Uma coisa conduz a outra.

CULT – Como surgiu a ideia de Ossário?

Orion – Na ocasião da inauguração, em 2004, as laterais do túnel Max Feffer eram amarelas, mas, poucos meses depois, reparei que elas haviam ficado pretas. Por curiosidade, numa madrugada, eu entrei no túnel para ver o que tinha acontecido. Eu achava que era por causa da luz, não imaginei que fosse poluição. Ali descobri que, além de ser pura fuligem, passando o dedo você tirava a sujeira com uma linha de contraste boa. Fiquei com aquilo na cabeça quase dois anos. Eu levei um tempo para juntar a possibilidade técnica que havia descoberto com o susto de perceber que aquilo era poluição.

CULT – Desde o início, a intenção de Ossário era despertar a atenção das pessoas para a poluição, para a quantidade de gases nocivos que inalamos diariamente? Ou a obra foi ganhando esse entorno de “protesto ecológico” conforme se espalhava pela internet?

Orion – Essa era, sem dúvida, uma das intenções. Mas Ossário é construída com base na ideia de crime. Temos o crime ambiental que é a poluição, temos o descaso do poder público na manutenção desses túneis, tem a provocação do grafite reverso: o crime do grafite está na tinta, como diz a lei, ou na mensagem? E termina com a lavagem da prefeitura que, após 17 madrugadas de trabalho, apareceu para lavar apenas os 300 metros em que eu havia feito a intervenção. Censura? Além disso, quando critico a poluição, critico também a indústria automobilística, a indústria petrolífera e toda a lógica capitalista que fundamenta esse modelo inviável de sociedade do automóvel, do trânsito que não transita e dos empreendimentos imobiliários com cinco vagas na garagem. Hoje os carros dormem melhor que as pessoas. É ridículo.

CULT – O despreparo do poder público ao lidar com sua intervenção era esperado ou foi mais uma surpresa do processo?

Orion – Eu talvez nem chame de despreparo, porque a situação que Ossário propunha não permitia qualquer tipo de preparação. Eu esperava as abordagens da polícia e, conforme a intervenção avançava pelo túnel, tive certeza de que eles lavariam. Mas cada situação é nova e surpreendente. O diálogo com a polícia e a CET sempre tinha um “quê” dadaísta.

CULT – E como você analisa o comportamento das autoridades?

Orion – Elas fizeram o papel delas. A polícia podia ser agressiva ou educada, mas a conclusão foi sempre a mesma. Como não havia crime, ela ia embora. A única maneira de impedir a intervenção era lavar o túnel, e assim foi.

CULT – E do que é composta a exposição Ossário, que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo?

Orion – Esta exposição é documental, não tem intenção de recriar nada. De fato, o trabalho estético se esvaziaria se trouxesse a obra para um espaço institucional. São fotos, textos, o vídeo, que foi o mais visto do YouTube por um bom tempo. Eu reproduzi o túnel com carvão vegetal, um material atóxico, e o resultado é exatamente o mesmo. Mas é um documento da sensação, jamais um desdobramento ou réplica, até porque isso seria bobo. Toda tentativa de produzir um lance feito na rua é falha.

Fonte: Revista Cult (on line)


    Teatro

    Teatro

    O teatro como conhecemos hoje tem origem na Grécia Antiga; mas sua origem é muito mais antiga, ele reflete o espírito lúdico, a nossa potência imaginativa para jogar com a realidade. Para as culturas primitivas, o teatro tem um sentido de ritual mágico para agrada aos deuses e ser favorecidos na caça ou na colheita. Os dramaturgos gregos criaram um jeito de contar histórias do modo como hoje conhecemos e que chamamos de teatro.

    Exemplo de uma tragédia grega, As Bacantes de Eurípedes, em uma montagem do Teatro Oficina com a direção de Zé Celso Martinez Corrêa.

    http://www.youtube.com/watch?v=fytj6CW5RgQ&feature=related

    domingo, 4 de abril de 2010

    Escreva que eu te leio



    MARC RIBOUD
    Em um clique, o fotógrafo francês Marc Riboud eternizou a moça que segurava uma flor de frente para uma tropa fortemente armada em plena manifestação realizada em Washington contra a Guerra do Vietnã. Há 50 anos, Riboud se especializou em reter instantes.

    Fonte: UOL

    quarta-feira, 24 de março de 2010

    Poetizando o Apocalipse

    Quem nasce com coração?
    Coração tem que ser feito
    Já tenho um porção
    Me infernando o peito

    Com isso ninguém nasça
    Coração é coisa rara,
    Coisa que a gente acha
    E é melhor encher a cara

    ###########################################################
    en la lucha de clases
    todas las armas son buenas
    piedras
    noches
    poemas

    ##########################################################

    meus amigos
    quando me dão a mão
    sempre deixam
    outra coisa

    presença
    olhar
    lembrançacalor

    meus amigos
    quando me dão
    deixam na minha
    a sua mão

    Paulo Leminski

    Série Patrimônio & Educação

    O que é patrimônio?

    É tudo que uma pessoa ou comunidade pode ter de importante na sua história e em sua cidade.

    Museu Barão de Mauá

    O que é patrimônio cultural de uma comunidade?

    São as obras de seus artistas,arquitetos, músicos e escritores, ou seja, são as obras materiais e imateriais que expressam a criatividade dessa comunidade.

    Capela da JOC (Juventude Operária Católica) - Santa Casa

    O que é patrimônio ambiental?

    São as áreas naturais que conservam os remanescentes da Mata Atlântica e proporcionam espaços para a contemplação, observação e estudo da natureza.
    Parque da Gruta de Santa Luzia

    O que é Educação Patrimonial?

    É um instrumento de "alfabetização cultural" que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o a participar da construção de sua realidade.

    Fonte: CONDEPHAAT MA; Grupo de Educação Patrimonial

    Obs.: CONDEPHAAT MA: Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico e Turístico do Município de Mauá.

    quarta-feira, 17 de março de 2010

    Lygia Clark

    Lygia Clark (Belo Horizonte, 1920 – Rio de Janeiro, 1988) inicia seus estudos artísticos em 1947, no Rio de Janeiro, sob a orientação de Roberto Burle Marx e Zélia Salgado. Em 1950, Clark viaja a Paris, onde estuda com Arpad Szènes, Dobrinsky e Léger. A artista dedica-se ao estudo de escadas e desenhos de seus filhos, assim como realiza os seus primeiros óleos. Após sua primeira exposição individual, no Institut Endoplastique, em Paris, no ano de 1952, a artista retorna ao Rio de Janeiro e expõe no Ministério da Educação e Cultura.

    Lygia Clark é uma das fundadoras do Grupo Frente, em 1954: dedicando-se ao estudo do espaço e da materialidade do ritmo, ela se une a Décio Vieira, Rubem Ludolf, Abraham Palatnik, João José da Costa, entre outros, e apresenta as suas “Superfícies Moduladas, 1952-57” e “Planos em Superfície Modulada, 1956-58”. Estas séries caminhavam para longe do espaço claustrofóbico da moldura, queriam estar livres. É aquilo que Lygia queria como linha-luz, como módulo construtor do plano. Cada figura geométrica projeta-se para além dos limites do suporte, ampliando a extensão de suas áreas. Lygia ainda participa, em 1954, com a série “Composições”, da Bienal de Veneza – fato que se repetirá, em 1968, quando é convidada a expor, em sala especial, toda a sua trajetória artística até aquele momento.

    Em 1959, integra a I Exposição de Arte Neoconcreta, assinando o Manifesto Neoconcreto, ao lado de Amílcar de Castro, Ferreira Gullar, Franz Weissmann, Lygia Pape, Reynaldo Jardim e Theon Spanudis. Clark propõe com a sua obra, que a pintura não se sustenta mais em seu suporte tradicional. Procura novos vôos. Nas “Unidades, 1959”, moldura e “espaço pictórico” se confundem, um invadindo o outro, quando Clark pinta a moldura da cor da tela. É o que a artista chama de “linha orgânica”, em 1954: não é uma pintura fechada nela mesma; a superfície se expande igualmente sobre a tela, separando um espaço, se reunindo nele e se sustentando como um todo.

    As obras querem ganhar o espaço. O trabalho com a pintura resulta na construção do novo suporte para o objeto. Destas novas proposições nascem os “Casulos, 1959”. Feitos em metal, o material permite que o plano seja dobrado, assumindo uma busca da tridimensionalidade pelo plano, deixando-o mais próximo do próprio espaço do mundo. Em 1960, Lygia cria a série “Bichos”: esculturas, feitas em alumínio, possuidoras de dobradiças, que promovem a articulação das diferentes partes que compõem o seu “corpo”. O espectador, agora transformando em participador, é convidado a descobrir as inúmeras formas que esta estrutura aberta oferece. Com esta série, Clark torna-se uma das pioneiras na arte participativa mundial. Em 1961, ganha o prêmio de melhor escultura nacional na VI Bienal de São Paulo, com os “Bichos”.

    A experiência com a maleabilidade de materiais duros converte-se em material flexível. Lygia Clark chega à matéria mole: deixa de lado a matéria dura (a madeira), passa pelo metal flexível dos “Bichos” e chega à borracha na “Obra Mole, 1964”. A transferência de poder, do artista para o propositor, tem um novo limite em “Caminhando, 1963”. Cortar a fita significava, além da questão da “poética da transferência”, desligar-se da tradição da arte concreta, já que a “Unidade Tripartida, 1948-49”, de Max Bill, ícone da herança construtivista no Brasil, era constituída simbolicamente por uma fita de Moebius. Esta fita distorcida na “Obra Mole” agora é recortada no “Caminhando”. Era uma situação limite e o início claro de num novo paradigma nas Artes Visuais brasileiras. O objeto não estava mais fora do corpo, mas era o próprio “corpo” que interessava a Lygia.

    A trajetória de Lygia Clark faz dela uma artista atemporal e sem um lugar muito bem definido dentro da História da Arte. Tanto ela quanto sua obra fogem de categorias ou situações em que podemos facilmente embalar; Lygia estabelece um vínculo com a vida, e podemos observar este novo estado nos seus "Objetos sensoriais, 1966-1968”: a proposta de utilizar objetos do nosso cotidiano (água, conchas, borracha, sementes), já aponta no trabalho de Lygia, por exemplo, uma intenção de desvincular o lugar do espectador dentro da instituição de Arte, e aproximá-lo de um estado, onde o mundo se molda, passa a ser constante transformação.

    Em 1968 apresenta, pela primeira vez, no MAM-RJ, "A casa é o corpo", uma instalação de oito metros, que permite a passagem das pessoas por seu interior, para que elas tenham a sensação de penetração, ovulação, germinação e expulsão do ser vivo. Nesse mesmo ano, Lygia muda-se para Paris. O corpo dessexualizado é apresentado na série “roupa-corpo-roupa: O Eu e o Tu, 1967”. Um homem e uma mulher vestem pesados uniformes de tecido plastificado: o homem, veste o macacão da mulher; e ela, o do homem. Tateando um ao outro, são encontradas cavidades. Aberturas, na forma de fecho ecler, que possibilitam a exploração tátil, o reconhecimento do corpo: “os fechos são para mim como cicatrizes do próprio corpo”, diria a artista, no seu diário.

    Em 1972, é convidada a ministrar um curso sobre comunicação gestual na Sorbonne. Suas aulas eram verdadeiras experiências coletivas apoiadas na manipulação dos sentidos, transformando estes jovens em objetos de suas próprias sensações. São dessa época as proposições “Arquiteturas biológicas, 1969", “Rede de elástico, 1973", “Baba antropofágica, 1973" e “Relaxação, 1974". Tratam de integrar arte e vida, incorporando a criatividade do outro e dando ao propositor o suporte para que se exprima. Em 1976, Lygia Clark volta definitivamente ao Rio de Janeiro. Abandona, então, as experiências com grupos e inicia uma nova fase com fins terapêuticos, com uma abordagem individual para cada pessoa, usando os “Objetos relacionais": na dualidade destes objetos (leves/pesados, moles/duros, cheios/vazios), Lygia trabalha o “arquivo de memórias” dos seus pacientes, os seus medos e fragilidades, através do sensorial. Ela não se limita apenas ao campo estético, mas sobretudo ao atravessamento de territórios da Arte. Lygia Clark desloca-se para fora do sistema do qual a arte é parte integrante, porque sua atitude incorpora, acima de tudo, um exercício para a vida. Como afirma Lygia:
    “Se a pessoa, depois de fizer essa série de coisas que eu dou, se ela consegue viver de uma maneira mais livre, usar o corpo de uma maneira mais sensual, se expressar melhor, amar melhor, comer melhor, isso no fundo me interessa muito mais como resultado do que a própria coisa em si que eu proponho a vocês” (Cf. O Mundo de Lygia Clark,1973, filme dirigido por Eduardo Clark, PLUG Produções).

    Em 1981, Lygia diminui paulatinamente o ritmo de suas atividades. Em 1983 é publicado, numa edição limitada de 24 exemplares, o “Livro Obra", uma verdadeira obra aberta que acompanha, por meio de textos escritos pela própria artista e de estruturas manipuláveis, a trajetória da obra de Lygia desde as suas primeiras criações até o final de sua fase neoconcreta. Em 1986, realiza-se, no Paço Imperial do Rio de Janeiro, o IX Salão de Artes Plásticas, com uma sala especial dedicada a Hélio Oiticica e Lygia Clark. A exposição constitui a única grande retrospectiva dedicada a Lygia Clark ainda em atividade artística. Em abril de 1988, Lygia Clark falece.


    Caminhando - 1964

    Lygia Clark, Bicho, 1960

    Lygia Clark, Cabeça coletiva, 1975.

    Lygia Clark, Arquiteturas biológicas, 1969